terça-feira, 17 de agosto de 2010

Um (longo) trecho de alguma coisa...

- Eu sabia que ia te achar aqui... - A voz soou aliviada e ofegante, seguida de passos que caminharam até a borda do terraço, se aproximando de um vulto sentado.
- Poxa cara, todo mundo está procurando você que nem um louco, pra que sumir assim? - A voz continuou, parando ao lado do rapaz sentado no parapeito.
- Eu precisava pensar, ficar sozinho por um tempo... - o garoto sentado respondeu sem desviar o olhar da cidade que se estendia a partir do prédio, o sol se pondo emoldurava os edifícios altos e os vários tons de cinza, criando um contra-ponto entre beleza e frieza. - Você deixou a porta do acesso aberta, Jack. - ele continuou, virando seus olhos verdes e expressivos para olhar Jack.
Jack suspirou impaciente, indo fechar a porta, não adiantava, Josh era assim mesmo, Jack voltou e se sentou ao lado de Josh, contemplando a a cidade com ele.
- Porta fechada. - disse Jack, olhando para a cidade. - Agora você vai me falar porque sumiu assim cara? Todo mundo está desesperado procurando você, a Lex não para de chorar... - Jack continuou, virando-se para olhar Josh.
Josh se virou para Jack, Jack examinou seu amigo, diabos, seu melhor amigo. No alto daquele terraço, um jovem de aproximadamente 26 anos, pele clara e lisa, cabelos lisos penteados displicentemente, olhos verdes, altura média e esguio, vestido com uma camisa de mangas dobradas próximas do cotovelo, jeans e tênis, olhava de volta para ele, então Josh olhou pra baixo, parecendo desanimado.
- Ela chorou? - Josh deu um sorriso triste. - Estou indo cada vez melhor nisso então... - ele continuou, pegando uma garrafa de bolso e dando um longo gole.
- Josh? Cara, me conta o que aconteceu...
- Isso aconteceu cara. - disse Josh, estendendo uma folha de papel para Jack.
Jack pegou a folha curioso e a leu de cima a baixo três vezes, depois olhou para Josh.
- Quando? Como? Como assim você foi aceito como enviado de guerra? - Jack falou assustado.
- Eu me candidatei para isso no site dessa agência faz dois anos, aparentemente eles viram minhas reportagens e acharam que tenho potencial para ser mandado para Israel... E essa carta chegou quando eu não estava em casa.
- Ou seja... - Jack começou lentamente. - Quem viu isso foi a Lex?
- Isso. - confirmou Josh, dando outro gole na garrafa. - Quando cheguei em casa, ela estava chorando e me perguntando porque eu queria aquilo, não tive tempo de explicar que isso é de antes de nós nos conhecermos.
- E porque não esperou ela se acalmar, e explicou pra ela a situação? - Jack perguntou, pegando a garrafa da mão de Josh e dando um gole.
- Porque eu não sei o que fazer... - Josh riu. - Tanta coisa mudou desde que eu mandei essa carta pra eles, dois anos atrás, que eu não sei o que fazer... Não sei se devo aceitar ou recusar...
Jack assentiu em silêncio e devolveu a garrafa para Josh, os dois olhavam para a cidade enquanto conversavam...
- Eu nunca te entendi, sabia? Somos amigos há o que, 16 anos? E eu nunca consegui entender você... - disse Jack, puxando um maço de cigarros do bolso da camisa.
- O que você quer dizer? - Josh perguntou, virando-se para Jack interessado.
- Bem... - Jack fez uma pausa para acender o cigarro. - Desde crianças, você foi sempre o primeiro em tudo, lembra? Quando um barranco era muito alto pra pular, você era o primeiro a se arriscar, quando a neve chegava, você era o primeiro a descer o declive mais alto de trenó, foi o primeiro a brigar com alguém... praticamente tudo que podia ser minimamente perigoso, você fez antes de todo o resto da turma sabe? - Jack continuou, oferecendo o maço para Josh e depois colocando-o sobre o parapeito. - E eu sempre me perguntava: Como ele consegue não ter medo? Eventualmente eu conclui que você gostava de correr o risco, que era o próprio perigo que te compelia, mas nunca entendi o porque disso... - Ele sorriu, soprando a fumaça. - Daí você se tornou repórter e eu pensei "bem, agora ele vai sossegar, vai parar de ficar pulando na cova dos leões por esporte..." Mas ledo engano, hein? Você virou repórter policial e já escapou de pelo menos três tiroreios... E eu continuo sem te entender cara...
Josh sorriu e recusou o cigarro, suspirou e olhou para Jack.
- É o perigo mesmo cara, isso me move, desde pequeno eu gostava de correr riscos; jornalismo policial, brigas em bar, tudo foi pra sentir a possibilidade de algo dar errado, pra fazer minhas apostas... - Josh olhou pra cima, depois continuou - Mas hoje, pela primeira vez, quando vi aquela carta com a notícia que eu mais queria receber dois anos atrás, eu não senti excitação, senti medo... Eu não entendi o que aconteceu cara... Isso e a reação da Lex e eu vi que precisava pensar, daí vim pra cá, sabia que só você ia lembrar da nossa época de colegial matando aulas aqui, se você não me achasse, ninguém acharia.
- Será que você ficou com medo de morrer? Será que foi esse medo que você sentiu? - Jack então parou, percebendo que Josh até agora não pegara um cigarro, e olhou para o amigo sobressaltado. - Porque não pegou um cigarro??
- Parei de fumar, velho amigo, Lex pediu para eu parar, ela não queria que eu acabasse morrendo de repente por causa do cigarro. - sorriu Josh.
- Ela te fez parar de fumar? - Jack sorriu, soltando um assovio. - Essa garota realmente te pegou hein cara...
Josh assentiu lentamente, sem proferir palavra alguma.
O punho zunindo se chocou contra o queixo de Josh, jogando-o de costas no chão do terraço, ele parou atônito, tentando em vão focar a visão, quando viu Jack aparecer de cabeça para baixo diante de seus olhos.
- Mas o que... Por que diabos você fez isso, seu bastardo? - ele perguntou, endireitando o corpo e se levantando lentamente.
- Porque você merecia, seu grande cretino. - Jack sorriu, ajudando Josh a se levantar. - Você mereceu por ser um estúpido, foi por isso.
- Ãhn? - Josh levantou uma sombrancelha, se apoiando no parapeito com as pernas trêmulas.
- Se eu te dissesse que você vai morrer daqui a um mês, o que você me diria? - Jack perguntou, apoiando-se no parapeito.
- Foda-se, e daí?
Jack jogou o cigarro no chão e sorriu.
- Mas e se o que eu te dissesse fosse que a Lex vai morrer em um mês?
- Eu ia querer saber como você sabe, o que eu poderia fazer pra impedir, eu não ia deixar isso acontecer nem que tivesse que trancá-la no apartamento pro resto da vida. - Josh respondeu com simplicidade.
Jack sorriu de novo.
- Aí que está, seu imbecil, o porque de você ter sentido medo, não foi por você, foi pela Lex, sua mentalidade emocional é tão desenvolvida quanto a de uma caixa de fósforo meio usada.
ele se aproximou de Josh e explicou pacientemente.
- Você nunca sentiu medo por você e continua não sentindo, mas agora que você está com a Lex, você sente medo por ela, medo de perdê-la ou de deixá-la sozinha, você agora não vive mais só por você, é isso que te confundiu. Cara, ela foi capaz de te fazer parar de fumar, você tem noção de o quanto você tem que gostar dela pra isso acontecer? O quanto você tem de amá-la??
Josh limpou um filete de sangue que escorria de sua boca, olhando fixamente para Jack.
- Acho que isso também responde sua pergunta sobre ir ou ficar. - concluiu Jack com um sorriso, no tom de voz de um professor que explica algo óbvio, mas que a princípio o aluno não via.
Josh arregalou os olhos e sem proferir palavra alguma correu porta afora, deixando Jack com um sorriso vitorioso nos lábios a olhar para a porta por onde ele saíra.

A luz do dia tinha acabado a quinze minutos e o quarto estava numa penumbra depressiva, ainda assim ela não sentira vontade de levantar daquela cama e acender a luz, ela só conseguia sentir medo; medo de que ela tivesse reagido do jeito errado, medo que tudo fosse por água abaixo, tinha medo de ele decidir ir por causa da reação dela, tinha medo de ele acabar morrendo no meio da guerra, tinha medo, pura e simplismente tinha medo...
Apertada entre seus dedos estava o envelope da carta, a maldita carta que chegara para causar aqueles problemas, agora Josh estava desaparecido, com Jack procurando por ele e ela ali sentada, esperando ele aparecer... ou Jack aparecer falando que não tinha encontrado nada...
A porta abriu de repente, a luz foi acesa e Josh estava ali, olhando para ela sentada na cama com o envelope apertado entre as mãos e os olhos inchados de tanto chorar, ela se levantou de sobressalto quando ele entrou.
- Lex? - Josh perguntou timidamente.
Ela se atirou contra ele, os braços enlaçando seu pescoço, jogando uma nuvem de cabelos na frente dos olhos de Josh, o corpo de Lex tremia convulsivo e ela apertava o seu corpo fortemente contra o dele.
- Desculpa Josh, eu não tenho o direito de te dizer o que fazer. Eu só fiquei com medo... - ela falou, sem soltar os braços do pescoço dele.
- Tudo bem, eu entendo Lex, entendo mesmo... - Josh falou, abraçando-a forte e beijando o lado do seu pescoço. - Pode me dar o envelope?
Ela se afastou dele, entregando a ele o bolinho de papel que já fora um envelope oficial da maior agência de comunicações do país, ele o pegou, juntando-o à carta que tirou do bolso, puxou um isqueiro antigo de outro bolso e acendeu o papel, jogando-o no cinzeiro sobre o criado-mudo.
- Josh!!!? - ela se assustou. - O que está fazendo? Aquilo é o seu sonho..
- Eu não preciso de um sonho se tenho você na minha realidade, Lex...
- Você ficou com medo de ir pra guerra?
- Fiquei com medo de deixar você sozinha e fazer você chorar mais...
- Mas porque você fez isso?
- Porque eu devia ter feito isso logo que a carta chegou.
Ele a abraçou, beijando seus lábios, então sorriu.
- Foda-se todo o resto, Lex, você é tudo que eu sou...

No terraço, Jack ainda bebia e fumava, sentado no parapeito. Soprando a fumaça para o alto ele riu e cantarolou:
- Talk of better days that are yet to come, never felt this love from anyone... she's not anyone!
Alguém xingou, e o barulho de uma garrafa se despedaçando foi seguido de uma risada que foi morrer de encontro ao céu noturno.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Cidade dos Condenados. - capítulo 1

"... My name is Jimmy and you better not wear it out, suicide commando that your momma talked about..."
A música foi interrompida quando uma mão puxou o fone, Tommy olhou levemente sobressaltado quem o fizera e encontrou um garoto mais baixo que ele, com uma mão no bolso e roupas folgadas, que olhava de volta pra ele e gritava algo que ele não conseguia entender.
- ...tudo logo filho da puta... na sua cara...
Tommy apertou os olhos e se concentrou na voz do garoto, tentando divisar o que ele dizia.
- Passa tudo logo, filho da puta! Ou vou te dar um tiro na sua cara!
Tommy levou mais um instante olhando bem para o garoto, então suspirou e tirou lentamente o celular do bolso da calça, quando estava quase entregando para o garoto, o celular escorregou das suas mãos...
- Porra! - o garoto exclamou, e se abaixou rapidamente para pegar o celular.
Tommy agarrou o garoto pelo colarinho e pela cintura da blusa e o jogou com violência com a cabeça contra o muro ao seu lado, o barulho do baque alto e de um palavrão abafado foram cortados pelo som do pé de Tommy se chocando com o peito do garoto no chão, antes do garoto poder tentar uma reação, o pé de Tommy voltou a se chocar, dessa vez contra o rosto do garoto caído, e de novo, e de novo, e de novo...
Tommy ouviu um tropel de pés, olhou o garoto inerte e se abaixou para examinar o corpo, no bolso em que ele mantivera a mão havia mesmo uma arma, um revólver, Tommy o pegou e se levantou, virando para ver o que era aquele tropel de pés.
Um homem bem maior que o garoto vinha correndo para ele, com uma pistola na mão ao lado do corpo, ele brecou quando viu Tommy apontando a arma para ele.
- Woah, garoto, você não quer fazer nenhuma besteira, eu só quero ver se meu amigo está bem...
Tommy sorriu, mas não havia felicidade no sorriso.
- Seu amigo? Este verme aqui? Sinto muito parceiro, seu amigo não está mais com a gente.
- Você, você o matou? - o outro pareceu assustado.
- Ah sim, você é alguém pra falar, correndo armado pra cima de um garoto de dezoito anos...
O homem pareceu assustado, mas logo enrijeceu sua expressão e olhou firme para Tommy.
- Você escolheu as pessoas erradas para zoar, garoto, nós não temos nada a perder!
Um estrondo de tiro, um silêncio tenso e o barulho de um corpo caindo no chão molemente.
- Eu também não. - sorriu Tommy.
Ele olhou para o garoto que começara tudo, ele ainda tremia com o rosto destruído e chorando lágrimas misturadas com sangue e muco, e gemeu alto quando Tommy o pegou pelos cabelos.
- Vou te ensinar uma lição, bastardozinho, você vai gostar. - Tommy vociferou enquanto arrastava o garoto que chorava e tentava falar com os dentes quebrados. - Põe a boca aí na guia, filha da puta! Põe ou eu vou pintar a porra da rua com os seus miolos!
O garoto ainda chorava enquanto lentamente colocava a boca no meio-fio, ele terminou de pôr e ouviu Tommy dizer:
- E é assim que você educa um escrotinho. - E Tommy pisou na nuca do garoto, fazendo a calçada ficar empapada de sangue.
Tommy sorriu, jogou a arma no chão e foi embora, jogando o capuz sobre a cabeça para esconder o rosto...

Tommy caminhava tranquilamente para a casa abandonada nos arredores da pequena cidade, vários jovens se agrupavam ao redor e dentro da casa, bebendo, pixando, se drogando ou só rindo, um deles o viu chegando e sorriu.
- Tommy chegou!
Os outros riram e gritaram saudações para o garoto, havia ali várias pessoas que eram até seis anos mais velhas que Tommy, mas ele exercia uma espécie de magnetismo, as pessoas se sentiam compelidas a segui-lo.
Tommy passou cumprimentando todos, entrou na casa e subiu até o último andar, lá entrou num quarto com todas as paredes pixadas, várias palavras de ordem e gritos de rebeldia escritos pelas paredes, jogado em um canto havia um colchão de casal onde dormia uma garota de costas para a porta, de resto o quarto estava vazio, ele passou pelo quarto e entrou no banheiro, lá lavou o rosto e olhou no espelho. Do espelho, um rapaz de dezoito anos o encarava de volta, olhando fundo nos seus olhos verdes emoldurados por um rosto pálido, encimando tudo isto estavam cabelos negros e desgrenhados, o corpo magro com tatuagens e piercings em vários lugares completavam a figura; o rapaz no espelho olhou para ele e sorriu, vestido com uma jaqueta militar sobre uma regata com frases de rebeldia, jeans surrados e rasgados, correntes penduradas nos bolsos e um par velho de all-stars. Aquele era o uniforme daquela geração, e aqueles lá embaixo eram o exército da juventude.
Tommy saiu do banheiro caminhando devagar para encontrar a garota de pé apoiada na janela e olhando para ele. Ela era bonita, cabelos ruivos caindo em cascatas pelos ombros, olhos azuis cristalinos, rosto pálido e delicado, piercing na sombrancelha esquerda e no lábio, usando uma jaqueta de couro fechada e um jeans rasgado, botas nos pés, partes de uma tatuagem escapando no pescoço, ela o encarou e disse:
- Eles já começaram a farrear, estavam esperando você.
Tommy sorriu e caminhou até a janela, lá embaixo, o "exército da juventude" gritava:
- Tommy! Tommy!
Ele sorriu e se virou para a garota, ela sorria e o abraçou dizendo:
- Você é o messias deles.
Ele sorriu de volta. Aquele era o rebanho dele, a juventude selvagem... E logo ela seria liberta...

terça-feira, 8 de junho de 2010

True hapinnes lies in isolation.











Para quem não entendeu o título: A felicidade verdadeira jaz no isolamento.

domingo, 6 de junho de 2010

Inspiração inesperada

Onde procurar tudo que falta em ti?
E se encontrar, ao completar-se não deixará de ser quem é?
O que procurar quando não se sabe o que deseja?
Qual o objetivo de uma alma sem ambição?
Se a música parar de tocar, vai virar o lado do disco?
Seria capaz de perceber que a melodia cessou?

Porque se agasalhar num dia frio, se é essa sensação que te garante que está vivo?
Se o vento soprar em seu rosto, não se sentirá bem?
Como escrever, quando não tem o que falar?
Onde buscar algo que nunca soube como usar?

Felicidade é um maço de cigarros e uma caneca de café.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A diferença entre fazer uma boa série e não fazer

Hail, faz tempo que não postei no blog. Não foi por preguiça, eu não conseguia achar um assunto cool pra comentar, e esse pensamento veio depois de ver a Season Finale (magistral, por sinal) de Supernatural.
Eu baixei os episódios, não aguentava esperar uma semana pra ver cada um, e mesmo assim demorei muito pra terminar, mas posso dizer que valeu cada segundo com a bunda pregada na cadeira no computador assistindo ao Dean e ao Sam.

Quem tem Warner, sabe que Supernatural passa logo após Vampire Diaries, a diferença principal é que Supernatural é uma série com uma concepção original, se não completa, em sua maior parte, enquanto Vampire Diaries é mais um passageiro do bonde das vampiretes pilotado por Edward "tenho alergia a vaginas" Cullen; Vampire Diaries não passa portanto de um pseudo-produto, um caronista num carro que no momento está(va) ganhando a corrida comercial, assim como são todos os outros produtos de vampiros que surgiram recentemente. - Não estou dizendo que eles são ruins (embora sejam em sua maioria, releituras e paródias do original bem-sucedido), alguns podem até (e não duvido) ter mais qualidade do que o messias da febre vampírica, que, juntamente com os coloridos e justin bieber tem assolado a nação. (Oh My God #Janicefeelings, imagine uma fusão dessas febres: Um vampiro infanto-juvenil vestido como uma fusão de todos os ursinhos carinhosos, que fala igual um gângster, tem alergia a vaginas, brilha no sol e bate a cabeça em portas de vidro! É o fim, irmãos! É o fim!)

Bom, mas voltando, depois dessa imagem que vai ficar na minha mente por todos os séculos: Supernatural não é um caronista, não é ninguém que pegou rabeira no sucesso de outrem, Supernatural foi uma aposta (obviamente os produtores perceberam que havia um potencial lucrativo, ou Supernatural seria só uma boa idéia), alguem teve uma idéia que merecia ser explorada e essa idéia resultou nessa excelente série. Aliás as boas séries são séries que exploram alguma idéia que não foi explorada, ou não foi explorada daquela maneira e é isso que faz delas grandes séries. Basta procurar séries com elementos como os de Rescue Me, Sons of Anarchy ou House. Essas são as séries que valem a pena ver, justamente porque elas buscam sair do lugar comum, elas não seguem uma tendência que dá certo, elas alçam vôos maiores por conta própria.

Não vou negar que gosto de séries que seguem modelos pré-fabricados, também não vou negar que eu sei que VD e outras séries "twilight-like" não tem a mim como público-alvo. Mas mesmo nas séries que eu gosto e seguem modelos pré-fabricados, eu preferiria que não seguissem. Bastava apenas originalidade, se todas as séries fossem mais originais, ver televisão seria uma experiência muito melhor!

E pra falar a verdade, esse post todo foi feito porque eu gostei da frase sobre o "bonde das vampiretes..." Mas eu acho que até é uma discussão interessante.

Infelizmente, como no caso da música, ganha o que dá mais dinheiro, não o que é mais bem pensado/original/tem mais conteúdo.

I love it loud \,,/

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Por um rock mais delinquente.

Howdy, faz pouco tempo não? Nem vem muitas pessoas aqui ler, mas eu gosto de escrever aqui do mesmo jeito, e vou tentar manter os posts mais frequentes, e também vou parar de falar de assuntos pessados porque dá trabalho porque não vou mudar nada anyway.

Vamos voltar a falar de música, mas antes vamos deixar uma coisa bem clara aqui:
Eu não sou um cara exatamente eclético, apesar de gostar de blues, folk, jazz, música folclórica irlandesa e dos países norte europeus, j-rock, punk, rockabilly, metal, ska, grunge e indie. Se forem perceber, a maior parte do que eu disse é rock.

Bom, let's go: Eu AMO rock, o rock é mais ou menos 80% da minha vida, as letras, as melodias, os instrumentos, significam muito pra mim, eu realmente me preocupo em conhecer a história, em entender os conceitos por trás das composições, a biografia das bandas... E de uns tempos pra cá, tem havido uma tendência do rock, algo que não pode acontecer: O rock tem sido domesticado!
As novas bandinhas não têm intuito, não têm revolta; e não digo só essas coisas ridículas que se chamam de rock, como restart e fresno, até mesmo boas bandas de indie não tem revolta.
O rock sempre foi marcado por ser um estilo transgressor, Elvis chegou a ser filmado apenas da cintura pra cima por causa da sua dança característica, o The Doors foi proibido de tocar no Ed Sullivan Show depois de uma apresentação lá, as bandas de metal sofreram constantes manifestações de repúdio da sociedade moralista. E cada movimento "anti-rock" apenas fazia o rock voltar com mais força; o Black Sabbath foi duramente criticado, e acabaram por surgir Judas Priest, Iron Maiden, Diamond Head e tantos outros, interessados em transgredir, em se rebelar, em nadar contra a maré...
Mas isso foi diminuindo, ao ponto de hoje em dia as bandas serem aceitas pela mídia que um dia as criticou, o rock não é isso, o rock é o grito de liberdade da juventude, o último marginal indomado.
Eu sei dos interesses econômicos que envolvem toda essa transformação, mas eu não gosto dela, faltam bandas que tenham raiva, que tenham rebeldia, que tenham algo a dizer pra essa sociedade que nos domestica de maneira tão implacável.

E esse é outro problema das bandas atuais, falta uma mensagem a passar, não sou ingênuo de achar que os milhares de grandes músicos estavam na música só pra serem os estandartes das insatisfações da juventude, eles também queriam ganhar dinheiro, mas a diferença era a idéia que se tinha disso, antigamente era: "Vamos tocar isso, porque nós gostamos, e se nos pagarem ótimo!", hoje em dia é: "Vamos tocar isso porque nos pagam e se nós gostarmos ótimo!". Essa mentalidade a meu ver é extremamente errada, eu sou um romântico incorrigível nesse ponto, em relação ao futebol e à música, eu tenho a forte crença de que o talento e a qualidade devem vir antes do dinheiro. Que o diga Steve Harris(baixista e fundador do Iron Maiden), que nos primórdios da carreira ouviu de um produtor: "Vocês são muito bons! Se cortarem os cabelos e fizerem um som mais punk, terão um contrato.", ao que o produtor ouviu um sonoro: "Foda-se! Nós tocamos metal."

Não há mais essa atitude hoje em dia, apesar de motivos não faltarem, as bandas não ligam pra transgressão, em sua maioria, e as que ligam acabam fatalmente sem ter o espaço merecido justamente por isso.

When it comes to música, eu acho que se deve fazer o que se acredita, o que se gosta, e investir nisso, e não na chance de ganhar porrilhões de dinheiro.

A pior parte disso, é que os medalhões, aqueles que se mantiveram fiel a essa rebeldia, têm sucumbido ao julgo do tempo, e não irão continuar conosco por muito tempo; dentro em breve faltarão músicas que nos façam pensar e bandas que tenham conteúdo a oferecer...

Deixo aqui esse manifesto, esse desabafo, por um rock mais delinquente.
I love it loud. o/

quarta-feira, 5 de maio de 2010

His name was Valentine, had a job that was just fine...

Howdy meu povo! Novo post de opinião, quem sabe vocês me vejam mais aqui de agora em diante...(ou quem sabe não. HÁ!) Brincadeiras à parte, hey ho let's go!(Tá, agora é sério mesmo.)

Segunda-Feira 03/05/2010, fui fazer minha primeira matéria jornalística, uma entrevista com nada mais, nada menos do que Celso Unzelte! (se você não sabe quem é, descubra aqui - apesar de que aí tem pouca coisa.)

Bom voltando, eu e meu amigo Mateus fomos até São Paulo de ônibus, pegamos o metrô e fomos até a redação da MELHOR EMISSORA DE ESPORTES DO BRASIL, vulgo ESPN.
Já era um feito estarmos ali, nenhum de nós esperava conseguir isso no primeiro bimestre da faculdade; durante o almoço, quem passa na frente do restaurante? Ninguém menos que PAULO VINÍCIUS COELHO!!! (quem não conhece o PVC se mata. descobre aqui - mesma coisa do Celso Unzelte) Não bastasse ele ser super simpático e tudo, ainda de quebra ele aceitou nos dar uma entrevista no segundo semestre, o que significa que We're on fire, bitch! O Pvc, depois de conversar com a gente disse que depois da nossa entrevista, nós poderíamos assistir a gravação do programa que ele ia fazer, pra quê, eu e o Mateus ficamos parecendo criança em dia de aniversário...
Logo em seguida passou o Gerd Wenzel, alemão naturalizado brasileiro que comenta o futebol alemão (dã .-.), outro que foi super simpático, tiramos foto, conversamos e tudo.
Depois do almoço fomos pra ESPN, na frente da redação Pvc e outros jornalistas trocavam figurinhas da copa (preciso comprar o albúm, preciso comprar o albúm, preciso comprar o albúm...), nós entramos e ficamos esperando o Celso terminar de gravar pra poder nos receber, enquanto isso, vimos outros caras muito bons passando, o Pvc passou por nós indo gravar o programa e reiterou o convite, logo em seguida o Celso chegou e depois de uma conversa amistosa, fomos fazer a entrevista.
Primeira experiência como jornalista e uma certeza, eu nasci pra isso! Não porque eu fui bem demais, mas porque cada pergunta me deixava mais animado, cada resposta era uma alegria a mais, eu lembrava de como foi pra chegar ali, cada parte daquele todo me animava, ser jornalista é com certeza o que eu quero fazer pro resto da vida!(e ser músico, e ser escritor...)
Depois de quase uma hora, a entrevista feita, mais um pouco de conversa e ele aceitou nos levar pra assistir a gravação do programa do Pvc, o Bate-Bola, e lá fomos nós, assistir a quase uma hora de programa logo atrás dos câmeras e de quebra conhecer João Carlos Albuquerque, outro cobra do jornalismo esportivo brasileiro. Tietagens à parte de novo, tiramos fotos do estúdio e resolvemos conhecer um pouco a redação, andamos por lá durante algum tempo, tempo aliás, suficiente para encontrarmos Paulo Soares, mais um fera; mais tietagem e finalmente resolvemos voltar pra casa, com a felicidade de uma missão cumprida, a alegria de uma criança e a certeza de que haviámos encontrado nossa vocação.




Paulo Vinícius Coelho, maior jornaliste esportivo do Brasil atualmente.






Gerd Wenzel, vai Alemanha /o/





Celso Unzelte, o alvo.





João Carlos Albuquerque, a fera.




Paulo "Amigão" Soares, narrador, jornalista e SÃO PAULINO!

Bom meu povo, é issae, foi um grande dia e valeu cada minuto.
I Love it Loud. o/