sexta-feira, 11 de junho de 2010

Cidade dos Condenados. - capítulo 1

"... My name is Jimmy and you better not wear it out, suicide commando that your momma talked about..."
A música foi interrompida quando uma mão puxou o fone, Tommy olhou levemente sobressaltado quem o fizera e encontrou um garoto mais baixo que ele, com uma mão no bolso e roupas folgadas, que olhava de volta pra ele e gritava algo que ele não conseguia entender.
- ...tudo logo filho da puta... na sua cara...
Tommy apertou os olhos e se concentrou na voz do garoto, tentando divisar o que ele dizia.
- Passa tudo logo, filho da puta! Ou vou te dar um tiro na sua cara!
Tommy levou mais um instante olhando bem para o garoto, então suspirou e tirou lentamente o celular do bolso da calça, quando estava quase entregando para o garoto, o celular escorregou das suas mãos...
- Porra! - o garoto exclamou, e se abaixou rapidamente para pegar o celular.
Tommy agarrou o garoto pelo colarinho e pela cintura da blusa e o jogou com violência com a cabeça contra o muro ao seu lado, o barulho do baque alto e de um palavrão abafado foram cortados pelo som do pé de Tommy se chocando com o peito do garoto no chão, antes do garoto poder tentar uma reação, o pé de Tommy voltou a se chocar, dessa vez contra o rosto do garoto caído, e de novo, e de novo, e de novo...
Tommy ouviu um tropel de pés, olhou o garoto inerte e se abaixou para examinar o corpo, no bolso em que ele mantivera a mão havia mesmo uma arma, um revólver, Tommy o pegou e se levantou, virando para ver o que era aquele tropel de pés.
Um homem bem maior que o garoto vinha correndo para ele, com uma pistola na mão ao lado do corpo, ele brecou quando viu Tommy apontando a arma para ele.
- Woah, garoto, você não quer fazer nenhuma besteira, eu só quero ver se meu amigo está bem...
Tommy sorriu, mas não havia felicidade no sorriso.
- Seu amigo? Este verme aqui? Sinto muito parceiro, seu amigo não está mais com a gente.
- Você, você o matou? - o outro pareceu assustado.
- Ah sim, você é alguém pra falar, correndo armado pra cima de um garoto de dezoito anos...
O homem pareceu assustado, mas logo enrijeceu sua expressão e olhou firme para Tommy.
- Você escolheu as pessoas erradas para zoar, garoto, nós não temos nada a perder!
Um estrondo de tiro, um silêncio tenso e o barulho de um corpo caindo no chão molemente.
- Eu também não. - sorriu Tommy.
Ele olhou para o garoto que começara tudo, ele ainda tremia com o rosto destruído e chorando lágrimas misturadas com sangue e muco, e gemeu alto quando Tommy o pegou pelos cabelos.
- Vou te ensinar uma lição, bastardozinho, você vai gostar. - Tommy vociferou enquanto arrastava o garoto que chorava e tentava falar com os dentes quebrados. - Põe a boca aí na guia, filha da puta! Põe ou eu vou pintar a porra da rua com os seus miolos!
O garoto ainda chorava enquanto lentamente colocava a boca no meio-fio, ele terminou de pôr e ouviu Tommy dizer:
- E é assim que você educa um escrotinho. - E Tommy pisou na nuca do garoto, fazendo a calçada ficar empapada de sangue.
Tommy sorriu, jogou a arma no chão e foi embora, jogando o capuz sobre a cabeça para esconder o rosto...

Tommy caminhava tranquilamente para a casa abandonada nos arredores da pequena cidade, vários jovens se agrupavam ao redor e dentro da casa, bebendo, pixando, se drogando ou só rindo, um deles o viu chegando e sorriu.
- Tommy chegou!
Os outros riram e gritaram saudações para o garoto, havia ali várias pessoas que eram até seis anos mais velhas que Tommy, mas ele exercia uma espécie de magnetismo, as pessoas se sentiam compelidas a segui-lo.
Tommy passou cumprimentando todos, entrou na casa e subiu até o último andar, lá entrou num quarto com todas as paredes pixadas, várias palavras de ordem e gritos de rebeldia escritos pelas paredes, jogado em um canto havia um colchão de casal onde dormia uma garota de costas para a porta, de resto o quarto estava vazio, ele passou pelo quarto e entrou no banheiro, lá lavou o rosto e olhou no espelho. Do espelho, um rapaz de dezoito anos o encarava de volta, olhando fundo nos seus olhos verdes emoldurados por um rosto pálido, encimando tudo isto estavam cabelos negros e desgrenhados, o corpo magro com tatuagens e piercings em vários lugares completavam a figura; o rapaz no espelho olhou para ele e sorriu, vestido com uma jaqueta militar sobre uma regata com frases de rebeldia, jeans surrados e rasgados, correntes penduradas nos bolsos e um par velho de all-stars. Aquele era o uniforme daquela geração, e aqueles lá embaixo eram o exército da juventude.
Tommy saiu do banheiro caminhando devagar para encontrar a garota de pé apoiada na janela e olhando para ele. Ela era bonita, cabelos ruivos caindo em cascatas pelos ombros, olhos azuis cristalinos, rosto pálido e delicado, piercing na sombrancelha esquerda e no lábio, usando uma jaqueta de couro fechada e um jeans rasgado, botas nos pés, partes de uma tatuagem escapando no pescoço, ela o encarou e disse:
- Eles já começaram a farrear, estavam esperando você.
Tommy sorriu e caminhou até a janela, lá embaixo, o "exército da juventude" gritava:
- Tommy! Tommy!
Ele sorriu e se virou para a garota, ela sorria e o abraçou dizendo:
- Você é o messias deles.
Ele sorriu de volta. Aquele era o rebanho dele, a juventude selvagem... E logo ela seria liberta...

3 comentários:

Camila Wu disse...

E gosto das tuas histórias. E gosto da tua pessoa. Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções ao ler as coisas que você escreve e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto.

João Carreño ou Kitsune disse...

Não eh meu estilo de literatura, mas vc escreve bem...

Luísa Olimack disse...
Este comentário foi removido pelo autor.